Adaptação em outros países

Adaptação em outros países, quão difícil é isso?

Pode parecer loucura, mas além das aulas de romeno também estou fazendo aulas de inglês e minha tarefa esta semana era escrever exatamente sobre isso…

E posso dizer, com duplo conhecimento, é difícil pacas! Confesso que no nosso segundo país a coisa tem sido tão ou até um pouco mais dura.

A verdade é que mesmo que planeje, estude e se antecipe sempre terão particularidades que não estavam no seu radar, mas que terá que aprender a lidar para seguir em frente no seu processo de adaptação.

A aclimatação em outro país depende de um enorme conjunto de coisas, desde as mais óbvias, como língua, comida, aprender a lidar com a saudade de familiares e amigos, até detalhes muitas vezes só lembrados no momento do sufoco como diferenças do alfabeto (problemas com teclado de computador), calendário, horários, coleta de lixo.

Teclado romeno

Tanto na Itália quanto na Romênia o primeiro choque de realidade foi com a burocracia e as complicações para fazer nossos documentos. Você pode até pensar, mas no Brasil fazer coisas em órgãos públicos também é burocrático e chato. De fato, mas te digo que passar por tudo isso em outra língua e sob leis e costumes que você não conhece é muito mais punk.

Para qualquer coisa muita burocracia, complicações e esperas

Olha a cara de felicidade depois de 3 horas de fila 🙁

Aí, com o início da rotina, vem a colisão com a cultura e os hábitos locais. Você obviamente sabe que por estar num país estranho as pessoas pensam e agem de forma bem diferente, mas entre o saber e o sentir existe um espaço gigante.

Um bom exemplo é a forma de falar/entonação, romenos e italianos falam alto naturalmente, mas no começo eu achava que a coisa era meio pessoal. Algumas vezes voltei pra casa arrasada, outras com ódio, até que entendi que basta falar no mesmo tom pra conversa voltar ao “normal”.

Outra coisa estranha, nem todos os lugares tem filas preferenciais para idosos, gestantes e tal. Um dia, no mercadinho perto de casa, deixei uma senhorinha passar na minha frente e tomei o maior esporro das pessoas que estavam atrás de mim, entre elas uma outra senhora.

Enfim, hoje entendo que adaptação é um longo processo de reajuste, é reprogramar a forma de pensar, agir e de valorar as coisas.

Muitas pessoas pensam que basta coragem, reconheço que precisei de uma enorme dose pra encarar as duas mudanças, no caso da vinda pra Romênia até mais porque não foi algo desejado. Só que o que te salva depois que está no novo país é o pacotinho paciência, tolerância e muito sangue frio.

Ah, pode somar a isso uns bons quilos de desprendimento! Bom, quer saber um pouco do que isso significa na prática?

– perder a vergonha de passar carão, falar errado e dar gafes;

– pensar uma coisa, dizer outra e a pessoa que lhe escuta entender uma terceira mensagem;

– estar constantemente perdido e aturar um pouco de grosseria quando pergunta a mesma coisa mais de uma vez por não entender nada das orientaçoes dadas;

– ter o Google maps (e o tradutor) como parte do seu corpo;

– adotar pratos e adaptações locais como suas novas comidinhas preferidas; 

Prato típico que até lembra o pastel, mas não é a mesma coisa. Seguimos com saudades de um bom pastel de feira!

No lugar do amado (e saudoso) pastel de feira: Gnocco fritto!

– ser sua própria manicure e depiladora, pois esses serviços são caros e supérfluos;

– entender que é preciso reorganizar o guarda roupa a cada estação;

– usar o mesmo casaco durante toda a semana pode ser prático e não por falta de inspiração ou preguiça;

– ter no carro spray anti congelamento e pazinha para tirar a camada de gelo do parabrisa todas as manhãs;

Exercício da manhã, tirar o gelo do parabrisa.

Kit essencial do inverno liquido anti-congelante para limpador, spray e pá para remoção do gelo.

– aprender a usar o aquecimento de forma a manter a casa quente, mas sem ter que vender o rim para pagar a conta;

– andar muito a pé;

– ficar louco de saudade de usar apenas camiseta e short pra deixar a pele respirar;

Depois de um tempo a gente cansa de tanta roupa ....

Casacos, cachecóis, chapéu, gorro, luvas … foram quase 5 meses com toda essa vestimenta!!

– ter um controle rigoroso sobre os gastos para não passar perrengues;

– assistir filmes dublados e sem legenda;

– beber vinhos bons (às vezes excepcionais) e baratos, mas não ter opções baratas e nem boas de carne bovina;

– comer muitos grãos, cereais e cogumelos como fonte de proteína;

Cogumelos assados com fritas

Nossa nova versão de filé com fritas. Da-lhe cogumelos!!

– ir ao médico/hospital e não conseguir explicar direito o que está sentindo;

– ficar atento as liquidações para comprar roupas e calçados para a próxima estação;

– levar marmita para o trabalho e também em passeios e viagens;

Mochila sempre cheia de comidinhas nos nossos passeios

Marmitinhas sempre!

– chorar sozinho quando a saudade aperta;

No fundo, se adaptar é aceitar e assimilar o modo de vida local e não querer viver como se vivia no seu país de origem.

La revedere 🙂

Tati Basilio

'Adaptação em outros países' has no comments

Be the first to comment this post!

Would you like to share your thoughts?

Your email address will not be published.

Todas as imagens deste site são de propriedade de seus autores e sua utilização sem prévia autorização é expressamente proibida. Maiores informações: entrepanelasetacas@gmail.com

Paste your AdWords Remarketing code here