A Itália e seu vinho – Parte I

A Italia e seu vinho

Não à toa, desde a antiguidade os gregos já chamavam a Itália pelo carinhoso apelido Enotria (terra do vinho). A produção de vinhos por lá é enorme não só em quantidade mas também em variedade de estilos, classificações, uvas … e é claro que o consumo também tem grandes proporções, os italianos alternam ano a ano com os franceses o pódio de maiores consumidores de vinho do mundo.

Apesar de não ter dimensões continentais como nós por aqui, o país da bota tem em toda sua extensão uma enorme variedade de relevos, solos, climas e culturas e é exatamente isso que possibilita a produção de tantos vinhos diferentes e que deixa um tour enológico tão interessante.

Boutique de vinhos Gilberto em bolonha

Boutique de vinhos Gilberto em bolonha

Mas na terra dos apaixonados e das conversas acaloradas claro que não é tudo tão simples, assim como nos demais países da Europa a Itália tem uma legislação e classificação própria para seus vinhos que considera: o local (existem várias regiões delimitadas), as uvas usadas na elaboração de cada vinho entre outros itens. Até ai ok, mas as regras têm exceções e subdivisões bello!

Nós já tínhamos algum conhecimento sobre o assunto mas aprendemos e descobrimos a origem de alguns clichês errados sobre os vinhos italianos.

Tentando ser mais simples e sem muito tecnês, trouxe aqui o que aprendemos in loco.

Existem dois tipos de classificação, a geral e uma que seria complementar, relativa ao “tipo” do vinho típicos como Prosecco, Chianti clássico e etc. esta segunda, na verdade, é um afinamento da primeira. Bom pra não ficar maçante, sobre a classificação por tipo falarei quando for contar sobre cada vinho especificamente.

Mas vamos a classificação geral, basicamente são quatro:

Vino da Tavola: também conhecido como vinho de mesa, são simples, saborosos e baratos, tomados todos os dias. Estes são vinhos que podem ser comprados a granel. Sim, lá existe um sistema (que nós adoramos) que é, você leva sua garrafa vazia a uma enoteca e pela bagatela de 2,20 euros volta para a casa um vinho fresco e honesto para consumo breve.

vinhos de mesa

Venda de vinhos a granel

Mas, como estamos na Itália e discordância é parte da cultura (brincadeira) temos aqui algumas drásticas exceções. Um bom exemplo são os vinhos classificados como Super Toscanos. Que são vinhos de altíssima qualidade (e preço), mas que por não serem feitos dentro das regras/legislação tradicionais não podem usar as denominações DOC ou DOCG.

I.G.T. (Indicazione Geografica Tipica): criada em 1992, tornou-se uma nova classificação regida por lei, substituindo a Vini Tipici como a base na pirâmide de qualidade. Ironicamente, alguns vinhos mais caros e mais conceituados, antigamente vendidos como Vino da Tavola (caso dos Super Toscanos), podem ser encontrados agora “atualizados” para IGT.

D.O.C. (Denominazione di Origine Controllata): abrangem em média 300 rótulos italianos.

Apesar de teoricamente ser uma classificação superior, ser DOC não necessariamente garante um vinho de alta qualidade. Esta denominação, na realidade, está diretamente ligada a legislação e regras que delimitam áreas, uvas e fórmulas para a elaboração dos vinhos.

Degustacao

Degustação de vinhos em Coli Eugenio

D.O.C.G. (Denominazione di Origine Controllata e Garantita): rótulos considerados o topo da pirâmide (aproximadamente 36), sendo que alguns se mantem nesta classificação por pressões políticas (áreas de turismo por exemplo), algo típico da Itália, cujas paixões predominam muitas vezes sobre a razão.

Para ser um DOCG o vinho deve ter e manter o status de DOC por ao menos cinco anos. Ainda assim, como estamos falando de um sistema leal e político (e apaixonado) é importante se ter em conta que o DOCG não garante a mais alta qualidade dos vinhos, mas somente que foram feitos de acordo com as normas.

Barolo

Vinhos DOCG

Ou seja, ao contrário do que normalmente ouvimos comprar rótulos apenas com base nas classificações DOCs, DOCGs não é necessariamente garantia de se ter um bom vinho.

 



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