4 dias em Paris!

No começo do mês minha irmã me pediu uma ajuda, pois teria uns dias de folga que aproveitaria dando um pulinho logo ali, na cidade Luz! Como teria pouco tempo, ela queria um guia basicão, com o que era possível fazer em 4 dias em Paris!!

Comecei fazendo algo bem prático, tipo uma lista, mas logo senti que não seria possível ser simples, pois parte dos encantos da capital francesa estão nos detalhes e eles não caberiam numa singela lista.

Então, resolvi rever anotações e fotos da minha ida pra lá e montar um roteirinho mais completo e personalizado, com meus pitacos e conselhos.

As lembranças foram tão boas que, por fim, quis dividir o roteiro aqui também!

Eu estive em Paris já faz bem uns 10 anos, fui meio no susto a convite de uma amiga queridissima, Maria Clara, que além de conhecer bem a cidade ainda fala um francês impecável.

Confesso que Paris não era a primeira cidade européia na minha wishlist, mas com uma oportunidade destas quem se importa com listas rs …. super topei, arrumei as malas e embarquei pra meu début na Europa!

Como era de se imaginar, cai de amores! Paris e os parisienses são mesmo quase todos aqueles clichês que ouvimos, tanto pra bom como pra ruim, mas nada invalida todo o encanto … Paris est magnifique! Ah que saudades ….

Mas vamos ao que interessa. Pra entrar no clima, coloca aí uma bela trilha sonora francesa (sugestão playlist Tour de France” no Spotify) e vamos pra Paris!

Ah, mas antes do roteiro, propriamente dito, queria deixar uns comentários/dicas:

Se perca sem medo, deixe a cidade te levar. Explore ruelas, becos, galerias e tudo mais que achar interessante. Tem muita coisa charmosa além/entre os pontos turísticos.

– Simplesmente apague da sua cabeça dietas e calorias! Deleite-se com os crepes de carrinho, cafés e boulangeries.

Deguste todas as delícias de Paris

Esqueça o gluten-free! Paris cheira a pão quente, crepes e chocolate, simplesmente delicie-se!

Aproveite os mercados, compre delicias locais (baguetes, croissant, queijos, geleias) e faça lanchinhos pra levar com você. No meio dos passeios terão muitos parques e outros locais onde poderá fazer uma pausa pra matar a fome e curtir o movimento.

Antes de viajar, assista ao filme “Meia noite em Paris”. Além de entrar no clima, você já ira ver vários lugares que passará depois.

Programe-se! Para não dar com a cara na porta, veja nos sites das atrações horários e dias de funcionamento, eles variam bastante. No inverno, por exemplo, os horários de fechamento costumam ser 16 – 17hs.

A cidade é muito amigável para passeios a pé e de bicicleta, mas se quiser ganhar tempo, uma boa é usar o transporte público, que é ótimo. No blog Viajar Mais tem um post bem legal, com informações detalhadas e atualizadas sobre este tema.

– Tome muitos vinhos nacionais! Se estiver no verão aproveite para degustar os roses franceses, são os melhores! Caso contrario um bom Bordeaux (entre tantas outras ÓTIMAS opções) pode fazer sua felicidade.

– Se quiser almoçar em restaurantes mais tradicionais, fique ligado aos horários pois grande parte fecha às 14h30 (alguns poucos às 15h00). Eles são bem rigorosos, se você chegar em cima da hora é provável que não deixem você entrar, muitos não deixam entrar quando falta meia hora pro fechamento.

Vá relax e com uma boa reserva de paciência pois a maioria dos parisienses são mesmo mal humorados…

Roteiro para 4 dias (intensos) em Paris

Dia 1

Pra cair a ficha, minha sugestão é já começar no ponto mais parisiense, a Torre Eiffel.

** se for primavera ou verão, você pode inverter a ordem dos passeios deste dia e acabar o dia vendo o pôr do sol na Torre!

Bom, os valores de entrada variam de acordo com a altura e fôlego (25€ pra subir de elevador até a cúpula, 16€ para subir de elevador até o segundo andar ou 10€ subir a pé até o segundo andar)
Eu fui até a cúpula, vale muito porque a vista é incrível. Só uma coisa, se for em tempos de frio vá preparado, lá em cima é gelado. Além de um bom casaco, luvas e cachecol quentinho são importantes!

Torre Eiffeil, beleza e muito frio.

Como fui no inverno, quando cheguei na Torre (17hs) já era noite e tava frio pra URSO!

Se quiser evitar fila, compre os ingressos online.

Nos arredores da Eiffel tem o Champs de Mars e oTrocadero destes lugares dá para curtir visuais incríveis da Torre, fazer aquelas fotos típicas e já começar a sentir bem a vibe de turistar em Paris.

Depois, ande sem pressa a beira do Sena, vendo as pontes que são outra atração, até chegar ao Les Invalides – antigo hospital de soldados que agora é o Museu de armas. Não cheguei a entrar, mas posso dizer que só o visual de fora e a caminhada até lá já fazem valer.

Ali pertinho, tem também o Museu Rodin, este não fui por falta de tempo, uma pena, pois li que é bem interessante.

Se seu tempo for curto, como o deste roteiro, meu conselho é ir direto para o Museu d’Orsay, esse TEM QUE IR!

Ele fica em uma antiga estação de trem (inaugurada em 1900), que foi praticamente abandonada depois da Segunda Guerra e chegou a correr o risco de ser demolida. 

Paris - Museu D'Orsay

Salão principal do D’Orsay, todos os traços arquitetônicos da antiga estação foram mantidos.

Ainda bem que acabaram decidindo por transformá-la num Museu e assim, em 1986, foi inagurado D’Orsay, que até hoje conserva o antigo encanto da velha estação de trens.

Ele é agradável e bem fácil de visitar. Tem um acervo impressionante com Van Gogh, Monet, Manet, Degas, Renoir, muitas esculturas maravilhosas e sempre tem boas exposições.

Minha escultura favorita no D’Orsay – L’âge mûr de Camille Claudel (ela foi amante de Rodin o que por muito tempo ofuscou o reconhecimento de seu grande talento)

Pra fechar o dia, vá para a Place de la Concorde, de lá ao Arco do Triunfo sua caminhada será pela famosíssima Av des Champs-Élysées “La plus belle avenue du monde”.

Siga tranquilamente curtindo as belas vitrine, a movimentação das pessoas e a vista do Arco. Vale fazer uma pausa estratégica para comer um delicioso pain au chocolat, em um dos tantos cafés da avenida.

Dia 2

Comece o dia na deslumbrante Catedral de Notre Dame, uma das mais antigas entre as catedrais góticas francesas, foi dedicada a Maria, mãe de Jesus, por isso o nome Notre Dame, Nossa Senhora.

Paris - Catedral de Notre Dame

A bela Catedral de Notre Dame,  cuja construção teve início no ano de 1163.

Nem vou falar mais, indo até lá irá ver a beleza e imponência desta construção! Com sorte ainda assiste algum coral ensaiando.

Saindo da catedral, o plano é seguir para o Pantheon. Mas antes, dê uma passada na livraria Shakespeare and Co. Existem muitas livrarias em Paris, mas esta é especial.

Paris - Livraria Shakespeare e Co.

A Shakespeare e Co é bem a cara das livrarias que vemos nos filmes.

Pense num caos meio organizado, ela é mais ou menos isso. O local foi, e ainda é, ponto de encontro de escritores, intelectuais e amantes de livros. Vale visitar.

De lá siga para o Pantheon, monumento em estilo neoclássico em pleno Quartier Latin. Ao seu redor estão alguns pontos importantes como a igreja de Saint Étienne du Mont, a Biblioteca de Santa Genoveva e a respeitada Universidade Paris-Sorbonne.

Minha recomendação, passeie pela região, mas deixe para explorar as ruas do Quartier Latin no final do dia porque ali é cheio de restaurantes e bares com clima ótimo para finalizar o passeio deste dia.

Na sequência, vá para o Jardim de Luxemburgo. Parque lindo, com uma bela coleção de estátuas e pequenos lagos, onde está sediado o famoso Palácio do Luxemburgo (atualmente pertence ao Senado francês).

Paris - Jardim de Luxemburgo

Hora da pausa para um lanchinho no parque, bem bem francês!

Aproveite os gramados para fazer um pique-nique ao melhor estilo europeu!

Aqui, uma opção interessante e bem diferente faço (que não fui porque sou ultraclaustrofóbica) é a visita as Catacumbas de Paris. Um ossuário, construído no final do século 18, abaixo do nível das ruas da cidade. No blog Viagem e Pauta tem vídeo mostrando um pouco deste curioso passeio.

Pra encerrar o dia, um pouco de boêmia, num happy hour no Quartier Latin.

Dia 3

Finalmente chegou o dia de conhecer o gigante, Museu do Louvre.

Já faço, de cara, duas observações:

1. Aos que não gostam de Museus, digo, este tem que ir. Sim, ele é gigantesco mas você não precisa ver tudo. Se Museu não é sua praia faça um giro mais breve mas não deixe de visita-lo.

2. Aos que adoram Museus, artes e história, aconselho reservar o dia só para ele. Como disse o Louvre é mesmo imenso (abrange oito mil anos da cultura e da civilização ocidental e oriental) e ocupará lindamente seu dia e sua alma.

Dito isso, recomendo uma visita prévia ao site do museu para entender como ele é, quais são as seções/coleções e com isso traçar um planinho para sua visita. Pode parecer exagero mas o Louvre é de fato gigante e ir sem um certo planejamento pode tornar a visita cansativa e você pode não conseguir ver tudo o que queria.

Da minha experiência, eu fiquei um dia inteiro e obviamente não vi tudo. Confesso que foi cansativo mas curti muito e consegui ver tudo que queria. Amei e me emocionei muitíssimo na área dedicada a Mesopotâmia (Egito), ali está o segundo maior acervo egípcio da época dos faraós! É demais!!
E depois chorei mais um pouquinho ao ver a Venus de Milus, e outras coisas que sonhava em ver assim, ao vivo.

Sobre a Mona Lisa, aviso: não espere muito. O quadro é pequeno e não é possível chegar perto, além de uma área de segurança, tem sempre muita gente em frente (principalmente chineses). Mas né, se já está no Louvre tem que passar pra dar uma olhadela na Gioconda.

Paris - Museu do Louvre

De dentro da pirâmide, a vista da fachada do Museu.

A parte ao redor do museu também vale a contemplação, ele fica de frente para o Sena e bem ali têm duas pontes gloriosas: a Pont des Arts e a Pont Neuf, na chegada ou na saída do Louvre, ande por elas e faça umas boas fotos.

Se optar por uma passagem breve pelo Museu ou se, depois da visitar, ainda tiver tempo e animo vá até o Le Centre Pompidou. Esse prédio, diferente e todo modernoso, abriga o Museu de arte moderna, uma biblioteca e um centro/acervo de pesquisa sobre música.

Paris - Centre Pompidou

Centre Pompidou, arquitetura bem diferente de tudo nesta área.

Infelizmente ele não coube no meu tempo, mas queria muito ter ido.

Dia 4

Para o último dia a proposta é girar ao ar livre, respirando um pouco mais da atmosfera parisiense.

A andança começa pelo Le Marais, um dos bairros mais antigos da cidade conhecido por ser essencialmente judeu.

E é no Marais que fica o célebre L’aus du Fallafel (Rei do Falafel), ponto tradicionalíssimo da comida de rua de Paris.

Paris - L'As du Fallafel

Tem que comer no L’As du Fallafel, o melhor falafel que já comi!

Recomendo mas já alerto, o lugar tem fila, é meio estilo pé sujo, mas foi o melhor falafel da minha vida.

** não funciona aos sábados por causa do Sabat judaico.

Após a boquinha, pegue o metro e vá para Montmartre, famoso pelo clima cultural esse bairro era o ponto de encontro de artistas, músicos, escritores e pensadores nos anos 20.

Caminhe explorando as ruas, as pequenas galerias de arte e divirta-se com os artistas de ruas (vi um monte de Ediths Piaf) até chegar no icônico Moulin Rouge.

Pra quem gosta de Salvador Dalí como eu, uma recomendação: Em Montmartre tem um Museo do artista. Ele é pequeno, mas tem um acerto incrível, eu amei!

Paris - Montmartre

Felizona, na entrada do Museu Salvador Dalí, me Montmartre

E pra terminar, siga até a Sacré-Coeur. Faça a visita a área interna e depois fique pelas escadarias aguardando (com seu lanchinho) a chegada do pôr do sol.

Paris - Sacré-Couer

Sacré-Couer, escadarias sempre cheias e vistas privilegiadas da cidade.

Passeios extras: caso ainda tenha dias sobrando e queira fazer passeios fora da cidade, duas boas opções:

1. Palácio de Versalhes, situado no subúrbio da grande Paris, esse imenso e lindo prédio foi por mais de 100 anos o centro do poder do Antigo Regime na França.

Paris - Château du Versailles

Famoso Jardim do Palácio de Versalhes, que foi inspiração para o Jardim do Palácio do Ipiranga em São Paulo.

Para chegar até ele basta pegar o trem, se não me engano é uma horinha.

2. Mont Saint Michel, um vilarejo medieval murado, que parece se equilibrar num pequeno morro.

Mas a verdadeira atração deste lugar é a mudança das marés, durante algumas horas do dia, o mar inunda o charco em volta e transforma o antigo povoado numa ilha.

Para esta visita, o mais indicado, é pernoitar por ali pois além da viagem ser longa (3h45), estar em função dos horários de transporte para voltar a Paris pode acabar fazendo você perder o espetáculo das marés. 

Bon voyage!

Tati Basilio



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